Top 5 séries animadas ocidentais dos anos 80 (categoria super-heróis)

Em termos de técnicas de animação, os anos 80 podem ter deixado a desejar, mas é inegável que essa década viu nascer alguns dos desenhos mais divertidos e marcantes da história da tevê. Nesta listinha, eu procuro separar não só o joio do trigo, mas também o meu espírito crítico da nostalgia emotiva resultante de ter sido criança nessa época (não deu certo em 100% do tempo, confesso), para apresentar meu Top 5 das séries de animação ocidentais de super-heróis dos anos 80 (específico, não?).

P.S.: “Caverna do Dragão” ficou de fora por eu achar que não se encaixa tanto no conceito de super-caras/ação total.

5º lugar: Silver Hawks (1986)

Os “Thundercats do espaço” fazem jus a esta alcunha, menos uma honra do que um rótulo. Afinal, seus criadores são os mesmos dos Gatos-Trovão – a produtora Rankin-Bass -, o design é parecido, e, acima de tudo, o vilão principal, Monstro Estelar, tem como característica assumir uma forma ainda mais aterradora e poderosa ao recitar determinada frase, tal como o impagável Mumm-Ra. Mesmo assim, a série tem altas doses de ação – muito bem animadas por uma coalizão de estúdios japoneses (nas animações americanas dos anos 80 isso era mais comum do que se imagina) -, um visual bacana – os heróis são ciborgues com armaduras inspiradas em pássaros, liderados por um Nick Fury meio-homem, meio-máquina –, roteiros acima da média, e personagens interessantes – Quicksilver, o líder de campo, que conta com Falcão Biônico, uma ave-robô/satélite espião; Bluegrass, um cowboy que toca guitarra e pilota a nave da galera; Emily e Will, irmãos gêmeos – ele, fortão, ela, graciosa – que compartilham um elo psíquico; e CopperKid, um garoto gênio que só se comunica através de mímica e assobios (meio irritante, às vezes); no decorrer da série aparecem novos Silver Hawks, dos quais o mais lembrado é Flashback, que veio do futuro e conhece a data e a causa da vindoura morte dos heróis. Em termos de personagens, peca-se um pouco nos vilões, caricatos e engraçadinhos demais.

Momento mais aguardado: quando os heróis precisam partir pra ação, eles baixam suas máscaras de combate, que os deixam ainda mais “apassarinhados”, fecham e abrem os braços para ativar as asas, e tocam o terror com os lasers disparados através dos ombros, perfeitos pra quem quebra o pau voando.

4º lugar: Os Defensores da Terra (1985)

Com longa experiência em juntar seus personagens em combos, em 1985 a Marvel co-produziu “Os Defensores da Terra” com a King Features Syndicate, detentora dos direitos sobre os super-heróis preferidos dos nossos avós: Fantasma, Mandrake e Flash Gordon. Egressos das tiras de jornais, esses caras não fizeram feio na telinha, e protagonizaram, ao lado de seus filhos (a indústria de entretenimento americana e sua mania de criar versões jovenzinhas de tudo), uma série vibrante, na qual uniam-se contra Ming, o Impiedoso, arqui-inimigo de Gordon. Claro que eles passaram por uma atualização: Fantasma (o melhor personagem) perdeu seu calção listrado, Lothar, o braço-direito de Mandrake, trocou o visual de eunuco abanador de rainhas por outro mais militar, e… Mandrake manteve seu traje de gala e o bigodinho de galã de quermesse. Entre os descendentes dos heróis clássicos, encontramos a diversidade étnica que também é característica das séries e dos filmes americanos das últimas décadas: além de brancos (os filhos de Flash Gordon e do Fantasma) e negro (o de Lothar), tem Kechim, filho adotivo de Mandrake (seria ele estéril?), um órfão indiano, acho eu. A série se passa no ano de 2015, provavelmente para justificar a existência desses filhos adolescentes (já que nos quadrinhos esses super-heróis ainda nem haviam descoberto o sexo, com exceção do Fantasma).

Curiosidade: foi em “Defensores” que vi pela primeira vez os temas álcool e drogas serem abordados em um desenho animado. Num deles, é Rick, o rebento de Flash Gordon, quem vive la vida loca, no outro, se não me engano, é L.J., filho de Lothar. Iniciativa legal. Se minha geração não bebe nem se droga é graças a esse desenho.

Momento mais aguardado: quando Fantasma necessita de um upgrade na sua carcaça, ele evoca a “Força dos Dez Tigres”, e um monte de cabeças de tigres estouram em seu peito, deixando-o ainda mais fodão por certo tempo. Esperávamos o desenho todo por isso.

3º lugar: He-Man (1983)

O quê?! He-Man em 3º lugar? Muitos devem achar que ele merecia estar umas duas posições acima, e milhões de pessoas, que ele não deveria estar em lista alguma de melhores qualquer coisa. Talvez esse seja o caso pontual em que deixei a emoção borrar meus pensamentos racionais, mas, fala a verdade, o guerreiro de Etérnia era ou não era sinônimo de super-herói televisivo na década de 80? E, como muitos desenhos animados daí para frente, esse só foi criado para vender brinquedos (Pokémons e Bakugans, não se façam de desentendidos!). Tudo começou por causa do filme “Conan, o Bárbaro”, que, em 1982, estava prestes a ser lançado. A Mattel resolveu ganhar o seu, e colocou suas fábricas para produzirem bonecos inspirados nos personagens. Acontece que o filme era violentíssimo e com cenas de sacanagem, o que não pegaria bem entre os pais da criançada que iria brincar de decepar cabeças, transar com voluptuosas escravas e humilhar sob seus pés os frágeis tronos da terra na sala de casa. O que fazer, então, com aquele monte de desproporcionais corpinhos marombados de plástico nos armazéns da Mattel? Simbora criar uma porrada de novos personagens, armas, veículos, enfim, todo um universo, para livrar-se deles! Tanto que, nos mini-gibis que acompanhavam os bonecos, os personagens compartilhavam uma mitologia bastante diferente da que foi apresentada na animação, uma bem mais elaborada, aliás. Mas o que importa é o que chegou à telinha: o príncipe branquelo e almofadinha que ergue sua espada mágica e transforma-se em um bárbaro bronzeado para defender seu planeta dos exércitos de Esqueleto, contando com a ajuda de uma infinidade de bonecos, digo, personagens coadjuvantes, como Gorpo, Teela, Mentor… As personalidades carismáticas, o cruzamento entre fantasia medieval e ficção científica, e, por que não, os ensinamentos morais no final de cada episódio transformaram a série em um épico inesquecível. Gerou longas para o cinema, incluindo um live-action, quase nada fiel ao original, e um spin-off, “She-Ra”, que, vai, também era bem legalzinho. Eu gostava do Hordak.

Momento mais aguardado: ver He-Man se transformando novamente em Príncipe Adam, o que, reza a lenda, foi mostrado apenas uma vez. Eu mesmo tenho lembranças de haver presenciado o fato, o que pode não passar de uma peça pregada pela minha memória afetiva. Não confiem demasiadamente nela.

2º lugar: Galaxy Rangers (1986)

Os cowboys futuristas e espaciais surgiram meio que do nada, de repente, porém, desde a primeira vez que os vi, senti que era ouro puro. Uma mente treinada na exploração do veio lamacento que é a tevê reconhece quando está diante de algo de valor. Já começa pelo conceito da série, um western misturado com Star Wars (bang-bang tecnológico foi também o tema de outra animação, Bravestarr, de 1987, inferior, mas legal), passa pelo visual e pela animação (mais uma vez, cortesia de uma produtora nipônica), que, provavelmente, só perdem pro nosso primeiro lugar, e culmina nos roteiros intricados, tão complexos que, na maioria das vezes, deixavam o pobre moleque de dez anos que eu era realmente boiando. Não bastasse tudo isso, ainda somos brindados com personagens bem delineados, soturnos, misteriosos, heróicos. Por exemplo, a tropa de elite dos Galaxy Rangers, formada por Zachary Foxx, que, devido a um acontecimento mostrado no primeiro episódio, tem seu braço substituído por uma prótese mecânica, capaz de disparar rajadas de energia; Nikko, com poderes psíquicos; Doc Hartford, um gênio da informática; e Shane Gooseman, o Goose, o Ganso, o melhor, o mais adorado, o Wolverine da série, um mutante, ou melhor, transmorfo – todos têm suas habilidades amplificadas quando pressionam suas estrelas de xerife. Com cavalos andróides, naves e gatilhos velozes, enfrentam vilões como a Rainha da Coroa, uma vampira que se alimenta da energia psíquica das vítimas; o pirata espacial Capitão Kirk; e Macross, que não lembro direito o que fazia, mas tinha nome e visual bacanas.

Momento mais aguardado: qualquer coisa que Goose faça, mas, principalmente, a resposta para a pergunta: “em que será que ele vai se transformar hoje?”

1º lugar: Thundercats (1985)

Provavelmente nenhum dos elencados nesta lista sobreviveu tão dignamente ao desafio do tempo quanto “Thundercats”. A animação (japoneses por trás, of course) continua afiada, o visual, nem se fala, a trilha sonora mantém-se arrepiante e os roteiros permanecem empolgantes e surpreendentes – além de contarem com continuidade, uma palavra que parece não agradar muito aos produtores de animação americanos. A mitologia acumulada em 130 episódios é extensa, e, claro, possui altos e baixos, sendo a comicidade dos Lunatacks, os vilões que, de certa forma, substituem os Mutantes, um dos pontos fracos. Mas quem resiste a esse time?: Lion-O, o principezinho que, ao sair da animação suspensa após a fuga do condenado planeta Thundera para o Terceiro Mundo, descobre que cresceu antes do tempo, e terá que amadurecer psicologicamente para portar a Espada Justiceira com o Olho de Thundera e liderar os sobreviventes de seu povo; Tygra, arquiteto, armado com um chicote-boleadeira que o torna invisível; Panthro, mestre em mecânica, artes marciais e luta com nunchaku; Cheetara, detentora de um Sexto Sentido com 1001 utilidades, velocista e fera no bastão; Wilykat e Wilykit, irmãos mirins que usam pranchas voadoras e bombas de gás; e Snarf, um gato barrigudo, atrapalhado e paternalista. Isso, no lado dos bonzinhos. Entre os bad guys, o destaque é, óbvio, Mumm-Ra, capaz de fazer qualquer coisa para espantar esses gatos barulhentos do seu telhado. São também dignos de nota personagens que aparecem apenas em um e outro episódios, como Ratáro, um rato achinesado, Grune, um thundercat renegado, o pirata Mão de Martelo, e um samurai do qual não lembro o nome, entre outros.

Em dado momento da série, Lion passa por sua consagração como líder do grupo: tem que enfrentar seus parceiros, um por um, e vencê-los em suas respectivas zonas de conforto. Ao final de cada luta (quatro episódios, se não me falha a memória), ele fica com o emblema do derrotado. Outros exemplos da já citada continuidade são a inserção, lá pelas tantas, de três novos Thundercats, a destruição de Mumm-Ra por Lion (embora a múmia retorne mais adiante) e a criação de Nova Thundera.

Falando em planeta, há toda uma especulação de que o tal Terceiro Mundo é a nossa Terra em um futuro bem distante, com somente alguns traços da História como conhecemos e poucos sobreviventes da raça humana. Por outro lado, já cheguei a ouvir uma teoria de que o Terceiro Mundo representa as regiões subdesenvolvidas do nosso planeta, os Thundercats simbolizam os exploradores oriundos dos países ricos, e Mumm-Ra é nada mais, nada menos do que um grande líder da resistência local. No fundo, acredito que está mais para uma alegoria da luta da novidade contra o anacronismo ou um libelo contra a xenofobia.

Momento mais aguardado: pô, sei lá… a transformação do Mumm-Ra? Lion chamando a gataiada com o Olho de Thundera? As lutas do Panthro? Cada episódio é memorável por inteiro!

Concorda? Discorda? Não tá nem aí? Manda bala nos comentários!

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Sobre marcelobeat

Provavelmente o menos geek dos blogueiros, seu computador funciona com carvão e o girar de uma manivela que faz com que o vapor circule por toda a máquina, e sua conexão de internet consiste de um cabo amarrado a uma pipa, papagaio ou pandora. Mas ele se cansou de comprar papel almaço, então resolveu ter um blog. Comprem meu livro! "O SAFÁRI DOMÉSTICO", meu primeiro romance, está à venda pela AGBOOK, no endereço http://www.agbook.com.br/book/44234--O_Safari_Domestico
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2 respostas a Top 5 séries animadas ocidentais dos anos 80 (categoria super-heróis)

  1. Pingback: Top 5 Mais Esperto Q A Maioria Dos Ursos 2010 | Mais Esperto Q A Maioria Dos Ursos

  2. philippe banks diz:

    pow na minha opinião o 3° lugar não mereçe tal colocação…
    porque o He-Man era muito chato!
    obs: na minha opinião

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