Rock (R)Evolution – Parte 3

ROCK (R)EVOLUTION

EPISÓDIO 3:

O DIA EM QUE A MÚSICA MORREU

Para ler ao som de: Frankie Lymon, Elvis baladeiro, Ritchie Valens, Big Bopper, Buddy Holly.

1957. O primeiro golpe do conservadorismo contra o rock.

Após o sucesso no rádio, Alan Freed ganhou seu próprio programa de televisão, “The Big Beat”. No palco, dezenas de artistas negros. Em uma das edições, pouco tempo após a estréia, o cantor Frankie Lymon tirou uma garota branca para dançar. Não demorou para que os protestos no sul dos EUA levassem a ABC a cancelar o programa.

O garotinho esperto é Frankie Lymon

No mesmo ano, Little Richard deixou de bradar seu grito de guerra. Depois de sonhar com um acidente aéreo, o que ele considerou uma visão divina, Richard resolveu dedicar sua voz somente à exaltação do Senhor. O “homem de fé” Little Richard já não incomodava mais.

Richard pregando

1958. Auge da Guerra Fria. Nos EUA, tinha-se que escolher de que lado se estava, o dos patriotas ou o dos comunistas.

"Garoto, eu tô com uma ideia sensacional! Anota aí..."

Se o negócio era escolher um dos lados, o empresário de Elvis, Coronel Tom Parker, não pensou duas vezes: mandou seu protegido para a Alemanha a fim de que servisse o exército americano e se transformasse, de rebelde e transgressor, em bom exemplo para a juventude e artista inofensivo para a sociedade. Em troca, o imperialismo americano ganhava um símbolo mais do que conveniente. Depois da temporada como militar, Elvis retornou ao show business, mas o roqueiro de outrora havia se convertido em um baladeiro romântico.

E foi um romance que abateu outro membro da realeza do rock. Jerry Lee Lewis havia emplacado seu quarto casamento, mas dessa vez a escolhida fora Myra Brown, sua prima de 13 anos. O caso vazou para a imprensa, e logo The Killer estava sendo acusado de abuso de menores. Para piorar, ainda não estava divorciado da esposa anterior. Com a carreira em declínio, passou a se apresentar em espeluncas nada memoráveis.

Após perder seu programa de tevê, Alan Freed perdeu sua liberdade. Foi acusado de incitar a plateia de um show em Boston contra os policiais ao dizer: “A polícia não quer que vocês se divirtam”. Acabou sendo libertado, mas, em 1959, foi um dos acusados de cobrar dinheiro de artistas para promovê-los nos programas. O homem que batizou o rock n’ roll terminou a vida em decadência.

Outras vidas terminaram no auge da fama.

Para não perderem um show devido a um ônibus quebrado, Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper resolveram voar em meio a uma nevasca. Mal decolou do aeroporto de Mason City, Iowa, o avião de quatro lugares chamado American Pie se estraçalhou no solo. O sonho premonitório de Little Richard tornava-se realidade.

3 de fevereiro de 1959 ficaria para sempre conhecido como “o dia em que a música morreu”.

1960. Em sua morte lenta e prolongada o rock levou consigo outro jovem astro. Aos 21 anos, Eddie Cochran terminava a vida e a carreira de forma abrupta em um acidente de carro.

Gene Vincent, que estava com ele, ficou seriamente ferido.

Eddie e Gene, parças até o fim

Problemas com menores de idade não eram exclusividade de Jerry Lee Lewis. Chuck Berry foi preso por ter levado uma garota apache de 14 anos do México para St. Louis a fim de que ela trabalhasse em seu nightclub. Depois de 3 anos na prisão, recuperou a liberdade, mas não a própria imagem.

Os rebeldes e incendiários ídolos do rock estavam mortos, presos, desmoralizados e domados. Com o caminho livre, as gravadoras podiam preencher o vácuo com um tipo de artista que atendia a demanda de uma sociedade retrógrada. Neil Sedaka, Pat Boone, Righteous Brothers… Os astros do final dos anos 50 nada mais eram do que versões polidas e açucaradas dos roqueiros originais que eles substituíram.

The Righteous Brothers

O rock n’ roll podia ter perdido o primeiro round, mas o estrago já estava feito.

 

No próximo capítulo: Os britânicos estão chegando!

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Sobre marcelobeat

Provavelmente o menos geek dos blogueiros, seu computador funciona com carvão e o girar de uma manivela que faz com que o vapor circule por toda a máquina, e sua conexão de internet consiste de um cabo amarrado a uma pipa, papagaio ou pandora. Mas ele se cansou de comprar papel almaço, então resolveu ter um blog. Comprem meu livro! "O SAFÁRI DOMÉSTICO", meu primeiro romance, está à venda pela AGBOOK, no endereço http://www.agbook.com.br/book/44234--O_Safari_Domestico
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2 respostas a Rock (R)Evolution – Parte 3

  1. Daniel Araújo (O Bosco) diz:

    Beat véio de guerra! Cara é bom demais reler isso tudo e lembrar das incontáveis horas de renderização, dos cafés quase explodindo no fogão enquanto avançavamos – incríveis – 3 segundos na edição hahaha…
    Cara vendo o lance da prisão do Chuck Berry eu lembrei do filme “Cadillac Records”, sobre a gravadora Chess Records e os artistas que ascenderam e afundaram lá dentro. É meio romantizado, mas ainda vale a pena.
    Ver o Little Richard pregando dessa maneira “estática” não passa o qnt o cara era um showman até com a Bíblia na mão kkkk…
    E pra acabar, me explica o que é essa foto dos “irmãos certinhos” no fim do texto! hahaha

    • Pois é, meu parceiro no crime, nunca foi tão recompensador gastar horas de trabalho em 3 segundos de resultado…
      Infelizmente, ainda não consegui ver “Cadillac Records”, mas um dos episódios da série sobre blues do Scorsese, tlvz o melhor deles, trata-se exatamente da Chess, numa parceria entre o Leonard Chess e o Chuck D, do Public Enemy! Td mundo tem q ver!
      Eu procurei um vídeo do Ricardinho de Jesus pregando, mas não achei não… Aquele q a gnt usou devia ser o único, hahah!
      Aqueles 2 felizes devem ser algum tipo de precursores do NX Zero. A diferença é q, mesmo ruins, ainda estamos falando deles 50 anos depois.
      Abração, Bosco!! Volte mais vezes para ver o resto da “versão folhetinesca” do Rock Revolution!

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