Rock (R)Evolution – Parte 4

ROCK (R)EVOLUTION

EPISÓDIO 4:

60 A 65: NOVIDADES NO VELHO MUNDO

Para ler ao som de: Dick Dale, Beach Boys, Beatles, Stones, Who, Animals, Kinks, Yardbirds

Os fãs de rock n’ roll foram dormir nos anos 50 cientes de que seu estilo de música preferido tinha sido enterrado em nome do bem-estar da sociedade americana.

E quando acordaram, nos anos 60, deram-se conta de que toda a sociedade estava dançando rock… com o nome de twist.

O twist era vendido como “a nova mania”, e Chubby Checker era seu grande embaixador.

Pela primeira vez, adolescentes e adultos dançavam ao som da mesma música. Afinal, não havia por que temer o twist e as novas danças que seguiam seus passos. Calmaria na América…

… exceto nas ondas da Califórnia.

A juventude dourada do início dos anos 60 tinha nos surfistas californianos seus mais perfeitos símbolos. Dick Dale… Duane Eddy… Link Wray… The Ventures… Quando não estavam carregando pranchas, eles pegavam as guitarras, e tentavam traduzir as ondas do mar em ondas sonoras.

Duane Eddy

Link Wray

Embora apenas um dos seus membros surfasse, os Beach Boys logo se tornaram a maior banda a celebrar a vida na praia. Suas harmonias vocais colocavam-nos em pé de igualdade com o fenômeno pop que andava estremecendo as terras do outro lado do Atlântico.

Os astros do blues e do rock, esquecidos e renegados em seu próprio país, haviam influenciado toda uma geração de jovens ingleses. Os garotos-sensação de Liverpool conhecidos como The Beatles não eram exceção.

Jornal dos primórdios noticiando mais um show dos Beatles no Cavern Club, em Liverpool

Apesar de toda a fama alcançada na terra natal, era natural que o quarteto ansiasse por fazer sucesso no lar de seus ídolos. A conquista da América tinha que ser muito bem planejada. Pouco a pouco, a beatlemania foi se infiltrando no berço do rock, através de um material promocional que incluía adesivos, bottons, anúncios em revistas e até perucas.

Tranqueiras Beatles...

... pra você que acha que o Justin Bieber é que sabe se vender!

Realmente, John, Paul, George e Ringo eram diferentes de tudo que os americanos já tinham visto. O corte de cabelo… os ternos… aquelas melodias, de alguma forma tão familiares aos ouvidos, cantadas com o inconfundível sotaque inglês…

1964. “I Want To Hold Your Hand” atingia o primeiro lugar na parada da Billboard. Já era hora da invasão britânica aportar na antiga colônia.

Machucada pelo assassinato do presidente Kennedy um ano antes, a América abraçava os Beatles como os arautos de tempos menos amargos. Talvez eles fossem, pois, durante a apresentação do quarteto no “Ed Sullivan Show”, nem um único crime foi cometido em Nova York. Mais de 73 milhões de pessoas estavam sentadas diante da tevê naquela noite de domingo… e nenhuma delas se esqueceria do que havia visto – nem as paradas americanas: em março daquele ano, pela primeira vez na História, as cinco primeiras posições eram ocupadas pela mesma banda.

As portas da América estavam definitivamente abertas para outros invasores britânicos, como os Rolling Stones. Liderados pelo guitarrista Brian Jones, os Stones eram o “lado B” dos Beatles. Se os garotos de Liverpool eram pop, eles eram rhythm & blues até a alma. Eram sujos, perigosos, sexuais. Dispensavam os terninhos; seus cabelos eram mais longos. “Você deixaria sua filha casar com um stone?” era a frase que resumia a atitude do quinteto. Para eles, não existia má publicidade. Existia apenas publicidade.

“The Last Time”, a música que o The Verve teria plagiado ao compor “Bitter Sweet Symphony”. Rendeu um processo, que os britpoppers perderam.

Os jovens britânicos tinham orgulho de serem britânicos, e o resto do mundo queria ser como eles. A cada ano surgiam novos porta-vozes da geração, como o The Who, legítimos representantes da cultura mod. Com seus ternos alinhados, os mods celebravam a noite dançando nos clubs ao som da música negra americana e sob o efeito de anfetaminas. Com o baterista mais insano de sua era, Keith Moon, o The Who era a última palavra em performances de palco.

Dezenas de outras bandas inglesas atravessaram o oceano carregando com elas a mistura certeira de rhythm & blues e pop: Animals… Kinks… Small Faces… Yardbirds…

Small Faces

The Yardbirds

Se tinha algo de que os Yardbirds podiam realmente se orgulhar era de seus guitarristas. O primeiro a se tornar célebre seria o jovem Eric Clapton, um estudioso apaixonado do blues. Seu estilo apurado rapidamente chamou a atenção do público, que passou a lotar os shows dos Yardbirds.

Clapton, o nerd do blues

Tudo ia bem, até que a banda resolveu encomendar uma música a Graham Gouldman, um compositor de sucessos pop adolescentes. “For Your Love” se tornou o maior hit dos Yardbirds, mas foi a responsável pela saída do talentoso guitarrista. A banda estava traindo o blues, e com isso ele não podia compactuar.

Para ocupar sua vaga, Clapton indicou o amigo Jimmy Page, que não quis abandonar a lucrativa carreira como músico de estúdio, mas, em contrapartida, recomendou Jeff Beck. As experimentações de Beck com distorções e solos complicados pavimentaram o caminho que levaria à psicodelia.

Com um ano de atraso, Jimmy Page resolveu atender ao convite para juntar-se à banda, formando com Jeff Beck uma até então imbatível dupla de guitarristas.

Yardbirds com Beck e Page, os dois no canto esquerdo

Durante toda a agitação do renascimento do rock, havia quem não quisesse saber de guitarras. Como Bob Dylan. Ao menos, até 1964.

No próximo capítulo: A pedra rola elétrica.

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Sobre marcelobeat

Provavelmente o menos geek dos blogueiros, seu computador funciona com carvão e o girar de uma manivela que faz com que o vapor circule por toda a máquina, e sua conexão de internet consiste de um cabo amarrado a uma pipa, papagaio ou pandora. Mas ele se cansou de comprar papel almaço, então resolveu ter um blog. Comprem meu livro! "O SAFÁRI DOMÉSTICO", meu primeiro romance, está à venda pela AGBOOK, no endereço http://www.agbook.com.br/book/44234--O_Safari_Domestico
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4 respostas a Rock (R)Evolution – Parte 4

  1. Bernardo diz:

    Beat, vc falou pouco dos Animals!!!! rs
    Não vou resistir.. seguem duas músicas do melhor cd de blues da história, segundo eu! o_O
    hehehe


    Dá-lhe Eric Burdon!
    🙂

    • Pô, eu tmbm acho Animals fodíssimo, uma das melhores bandas dessa época! As duas músicas que vc citou são de 77, qdo aconteceu a reunião da banda original, bem adiante do período que esse capítulo abrange. Mas vale a dica! Animals é sempre bom!

  2. Jefferson Galetti diz:

    Essa música dos Stones foi a que “gerou” a do The Verve?? Explica melhor isso aí… achava que os últimos tinham utilizado a música dos Stones de forma legal…

    • Na verdade a história é mais chatinha… O Andrew Loog Oldham, q foi empresário dos Stones nos anos 60 e compositor de algumas músicas q eles gravaram, compôs uma versão orquestrada de “The Last Time”. Nos anos 90, o Verve pediu autorização pra usar um trecho dessa versão. Só q, segundo o Oldham, eles usaram “demais”. Ele os processou, e, agora, a composição de “Bitter Sweet” é creditada não só aos caras do Verve, mas tmbm à dupla Jagger/Richards. Ufa…

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