Rock (R)Evolution – Parte 7

ROCK (R)EVOLUTION

EPISÓDIO 7:

1967: LOUCURAS, SONHOS, DELÍRIOS

Para ler ao som de: Beatles psicodélico, Grateful Dead, Jefferson Airplane, Love, Doors, Pink Floyd, Velvet Underground

1967. O rock jamais tivera duas faces tão opostas, e, ao mesmo tempo, tão complementares. A sofisticação convivia com a ingenuidade. O experimental, com o comercial. Se, por um lado, a indústria criava suas próprias bandas – produtos feitos para a televisão, como os Monkees -, por outro, essa mesma indústria promovia cada novo e revolucionário lançamento dos Beatles como um evento mundial.

O quarteto de Liverpool, que utilizara todo o arsenal do marketing durante a conquista da América, agora se encontrava a anos-luz da inocência daqueles tempos. Com “Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, os Beatles desembarcavam na era da expansão da consciência, da psicodelia e do LSD.

Era o “Verão do Amor”, e as “crianças das flores” espalhavam seu pólen pelo mundo a partir de San Francisco.

Herdeiros do movimento beatnik, os hippies buscavam novas alternativas de vida, distantes do modelo tradicional americano. Drogas, sexualidade, direitos humanos, ecologia: todo tipo de transformação parecia ter sido programada para explodir naquele exato momento. A ferida aberta que a Guerra do Vietnã havia se tornado precisava ser combatida com “paz e amor”; o capitalismo desapareceria diante do espírito comunitário; o conservadorismo deveria ser vencido pela liberdade total. O Sonho estava ao alcance de todos.

A esquina da Haight com a Ashbury, em San Francisco, onde tudo começou

Se você não consegue ler este cartaz é porque não é hippie o suficiente. Ou não está chapado o bastante.

A música psicodélica buscava reproduzir a experiência proporcionada pelo ácido lisérgico. Ou seria o inverso? As bandas do então nascente acid rock, como Grateful Dead e Jefferson Airplane, tornavam essa questão cada vez menos relevante…

“Somebody to Love”, música que os Ramones regravariam em 93 num álbum merecidamente intitulado “Acid Eaters”

As portas da consciência haviam sido escancaradas. E quem quisesse atravessar para o outro lado já tinha a quem seguir.

Como um xamã libertário, hedonista e contestador, Jim Morrison colocou o The Doors nas paradas de sucesso e no olho do furacão. A influência jazzística dos Doors servia de base para que a figura magnética e misteriosa de seu frontman desafiasse e seduzisse a platéia. A poesia de Morrison exalava Rimbaud e Blake, Dionísio e Édipo.

Por causa da palavra “higher” nesta música, os Doors foram banidos para sempre do Ed Sullivan Show

O Rei Lagarto reinava absoluto na Califórnia…

… enquanto, na Inglaterra, o fenômeno underground conhecido como Pink Floyd levava as experimentações psicodélicas a patamares perigosamente inexplorados.

Visual e musicalmente, o Pink Floyd parecia transitar entre dimensões desconhecidas, assim como os personagens das canções compostas pelo seu líder, o estudante de arte Syd Barrett.

Mais do que concertos, as apresentações do Pink Floyd eram verdadeiros happenings, pensados para imergir o público no universo surreal da banda através de um aparato de palco que misturava luz, cores, som e fúria. Um espetáculo multimídia que encontrava precedentes em Nova York…

… lar da Factory, o estúdio de Andy Warhol.

Warhol, o papa do pop

O mago da pop art ficara impressionado com uma estranha e atípica banda chamada Velvet Underground, que havia sido expulsa do bar em que se apresentava por tocar uma canção composta basicamente de ruídos. Warhol pregava que todos teriam 15 minutos de fama no futuro, mas decidiu assegurar que o tempo do Velvet Underground sob os holofotes seria mais duradouro, e adotou a banda como parte de seu espetáculo Exploding Plastic Inevitable. O evento era uma colisão entre dança, performance sadomasoquista e projeção de filmes, embalada pela música soturna do Velvet.

Após impor a participação da cantora Nico, Warhol bancou o primeiro álbum do grupo, além de ter criado sua polêmica capa.

A princesinha alemã (ou seria húngara?) no meio da bandidagem

O Velvet deu uma banana pra essa história de "paz e amor"

Como uma erva daninha brotando em pleno flower power, a banda liderada por Lou Reed e John Cale nublou o “Verão do Amor” com temas como sadomasoquismo, prostituição, ambigüidade sexual e heroína. Era a fina-flor da marginalidade mostrando o outro lado do Sonho.

Dos subterrâneos à nata do rock…

O Cream havia despontado como a primeira das superbandas de rock. Formado pelo supra-sumo do rock britânico – Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton -, ninguém podia desafiá-lo. O virtuosismo de seu guitarrista inspirou uma célebre pichação nos muros londrinos: “Clapton é Deus”.

No entanto, um jovem guitarrista vindo da América estava prestes a mudar tudo.

No próximo capítulo: Guitarras e coquetéis molotov.

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Sobre marcelobeat

Provavelmente o menos geek dos blogueiros, seu computador funciona com carvão e o girar de uma manivela que faz com que o vapor circule por toda a máquina, e sua conexão de internet consiste de um cabo amarrado a uma pipa, papagaio ou pandora. Mas ele se cansou de comprar papel almaço, então resolveu ter um blog. Comprem meu livro! "O SAFÁRI DOMÉSTICO", meu primeiro romance, está à venda pela AGBOOK, no endereço http://www.agbook.com.br/book/44234--O_Safari_Domestico
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Uma resposta a Rock (R)Evolution – Parte 7

  1. Bernardo diz:

    Muito bom Beat!
    Vou aproveitar pra indicar duas músicas legais relacionadas ao Pink Floyd.
    Primeiro, alguém já ouviu um blues dog? Da-lhe Seamus, o cachorro do Rick Wright, e seu duelo com a gaita de David Gilmour:

    E uma das últimas gravações do Syd. Muito bacana!

    Abras!

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