Rock (R)Evolution – Parte 8

ROCK (R)EVOLUTION

EPISÓDIO 8:

LUTADORES DE RUA E SONHADORES PERDIDOS

Para ler ao som de: Jimi Hendrix, Who, Stones, Janis Joplin, Joe Cocker, Santana, Creedence Clearwater Revival

Ex-membro da banda de Little Richard, o guitarrista americano Jimi Hendrix tocava em pequenos clubs ao ser descoberto por Chas Chandler, ex-baixista do Animals. Chandler ficara impressionado com o talento de Hendrix, e o levara para a Inglaterra. A juventude européia era fascinada pelos artistas negros americanos, e o guitarrista teria mais chances no Velho Mundo do que em seu próprio país.

A consagração aconteceu justamente num show do Cream. Hendrix pediu para tocar com a superbanda; foi aceito, e agarrou a oportunidade com unhas e dentes.

Hendrix havia destronado Deus.

Mas voltar para casa significava ter que fazer muito mais. Monterey Pop, o primeiro festival hippie de visibilidade mundial, foi sua prova de fogo.

Hendrix aprendera certos truques com o The Who, até então a maior banda de rock em cima de um palco. Em 1968, o The Who focou sua potência sonora na criação de um álbum conceitual, com todas as músicas interligadas entre si, contando uma única história. Uma revolucionária ópera-rock, que abriu caminho para muitas outras: “Tommy”.

E nunca a palavra “revolução” foi tão literalmente traduzida em fatos quanto em 1968. As greves e manifestações estudantis em Paris, o movimento dos Panteras Negras, os protestos contra a Guerra do Vietnã… 1968 tornou impossível dissociar a energia, a fúria e o inconformismo do rock n’ roll da própria História do século XX.

Paris, maio de 68: o espaço-tempo mais rock n' roll do século XX

Os Panteras Negras

Porém, fatos como o assassinato do líder negro Martin Luther King, os massacres de jovens manifestantes e a eleição do conservador Richard Nixon para a presidência dos Estados Unidos prenunciavam tempos bem menos coloridos do que os sonhos psicodélicos…

O assassinato de Martin Luther King

Estudantes mortos pela polícia na Universidade Estadual da Carolina do Sul

Nixon, o mascarado

… sonhos que fizeram de Syd Barrett um prisioneiro. Cada vez mais distante do mundo real devido ao abuso de LSD, Barrett foi aos poucos sendo afastado do Pink Floyd e tornando-se mais e mais recluso.

O inferno astral do “flower power” daria o tom do ano de 1969, e encontraria sua pior encarnação em Charles Manson, um músico frustrado ligado aos Beach Boys. Crente de que o “White Album” dos Beatles estava repleto de mensagens escondidas que previam uma guerra racial, Manson convenceu os membros de sua comunidade hippie a cometer diversos assassinatos.

Charles Manson: este rostinho lindo convenceu muita gente a matar em seu nome

A Família Manson: paz e amor, é?

"Helter Skelter": o nome de uma das músicas do "White Album" dos Beatles foi escrito com sangue na cena dos crimes. Só não dá pra convidar Manson pra participar do "Soletrando"

"White Album", dos Beatles, que, segundo Manson, conteria mensagens secretas

Os Rolling Stones também pareciam pressentir tempos negros. Como reflexo disso, a música do grupo ficava cada vez mais sombria.

O single dos Stones que caiu como uma luva (de ferro) nos protestos urbanos de 68

O que as Majestades Satânicas, como eram conhecidos, não conseguiram prever foi o trágico fim de um de seus fundadores.

A postura desinteressada de Brian Jones fez com que os demais membros o expulsassem da banda. Sem emprego, ele se trancou em sua mansão e se entregou a drogas pesadas. Foi encontrado morto em sua piscina pouco tempo depois, num caso repleto de mistério e controvérsias.

Jones, morto aos 27 anos

A morte atravessaria novamente o caminho dos Stones antes que o ano terminasse, durante um evento organizado por eles: o Festival de Altamont. Coroando o espetáculo de falta de estrutura que era o festival, foi chamada para a segurança do evento nada menos que a violentíssima gangue de motoqueiros Hell’s Angels, que acabou por agredir público e artistas. O caos culminou com o assassinato de um jovem negro, morto a facadas pelos motoqueiros, e outras três mortes.

A treta em Altamont, ao som de “Sympathy for the Devil”: mais uma vez, os Stones fazem a trilha sonora perfeita

Altamont fora idealizado para aproveitar a comoção gerada pelo Festival de Woodstock, realizado meses antes. Os “três dias de paz e música” transformaram a pequena cidade rural próxima a Nova York na mais importante concentração humana do período.

"Nós não vamos pagar nada": a maior parte do público de Woodstock entrou na faixa

Visão da muvuca

Artistas como Creedence Clearwater Revival, Santana, Janis Joplin e Jimi Hendrix cravaram definitivamente seus nomes na mitologia hippie.

Foi em Woodstock que Hendrix fez sua versão matadora e ácida (em todos os sentidos) do hino nacional americano

Apesar disso, era impossível negar que aqueles eram os últimos suspiros do movimento, que o melhor do Sonho estava terminando, e que, após dois velozes anos de utopia, era hora de voltar à realidade.

Tempo de despertar

Quem ficou acabou por se tornar prisioneiro do sistema, e, inevitavelmente, por desmoronar, como os Beatles, que encerraram a carreira em 1970…

Cadê as caras contentes do começo da carreira?

… mesmo ano em que a desilusão, as pressões da fama e as drogas colocaram um fim às vidas de Joplin e Hendrix. No ano seguinte, seria a vez de Jim Morrison.

Joplin, morta aos 27 anos

Hendrix, morto aos 27 anos

Morrison, morto aos 27 anos. Coincidência? Vocês ainda não viram tudo...

O rock havia se tornado um negócio altamente lucrativo para gravadoras e empresários, algo que definitivamente não combinava com o espírito comunitário e anti-establishment do “flower power”.

Porém, o vácuo deixado pelo desaparecimento dos heróis hippies não tardaria a ser ocupado por uma nova geração, para a qual “paz e amor” não fazia muito sentido. Uma geração que seria ainda mais difícil de ser domada.

 

No próximo capítulo: A era do excesso.

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Sobre marcelobeat

Provavelmente o menos geek dos blogueiros, seu computador funciona com carvão e o girar de uma manivela que faz com que o vapor circule por toda a máquina, e sua conexão de internet consiste de um cabo amarrado a uma pipa, papagaio ou pandora. Mas ele se cansou de comprar papel almaço, então resolveu ter um blog. Comprem meu livro! "O SAFÁRI DOMÉSTICO", meu primeiro romance, está à venda pela AGBOOK, no endereço http://www.agbook.com.br/book/44234--O_Safari_Domestico
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5 respostas a Rock (R)Evolution – Parte 8

  1. Pingback: Tweets that mention Rock (R)Evolution – Parte 8 | Mais Esperto Q A Maioria Dos Ursos -- Topsy.com

  2. Bernardo diz:

    Que bacana beat!
    Esse post aí ta foda!
    Vc ta ligado que a minha última encarnação esteve no woodstock, né?
    ia falar q a sua tb..mas acho q vc esteve pessoalmente, não?* hehe
    kra o vídeo do santana não ta abrindo aqui no blog. Então faço questão de mostrar a música que fez desse guitarrista atingir o ranque dos top 10 da história!

    (o kra estava pouco chapado?)

    E como teve muita coisa boa nesses 3 dias de transcendência pura, acho q essa música do Canned Heat resume a onda boa que foi tudo isso..

    Abração!
    Keep on rock!

    *não pude deixar passar a piadinha.

    • É, essa fase é foda… Hendrix, Who, Stones…
      E suas dicas sempre surpreendentes!
      Qto a eu ter estado lá, pô, nem no Rock in Rio 1 eu não pude ir! Hhaha!
      Abço!

  3. vania castro diz:

    Cadê a parte 18?Anda…vai trabalhar!Bj

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