Rock (R)Evolution – Parte 9

ROCK (R)EVOLUTION

EPISÓDIO 9:

TERRA DE GIGANTES

Para ler ao som de: MC5, Stooges, Death, Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin, Yes, Genesis, ELP, Jethro Tull, Pink Floyd

Com o sonho hippie dos anos 60 rapidamente tornando-se um pesadelo comandado pelas grandes corporações e assombrado pelas drogas pesadas e mortes prematuras, uma nova estirpe de músicos aproveitava para incendiar a década que surgia com a música mais suja e pesada já feita até então.

Vindo diretamente da cidade dos motores, Detroit, o MC5 atropelava a era de Monterey e Woodstock com guitarras distorcidas e no volume mais alto. Envolvidos com grupos anarquistas e de esquerda, como os Panteras Brancas, a banda transformava sua postura política em um reflexo da radicalização de seu som.

Quando Danny Fields, executivo da gravadora Elektra, foi oferecer um contrato ao MC5, acabou se deparando com outra banda ainda mais selvagem do que os roqueiros de Detroit: The Stooges. O que chamou a atenção de Fields foi não somente o som, mas também a presença de palco de seu frontman, o imprevisível Iggy Pop, cuja performance incluía cortar a si próprio com vidro, lambuzar-se com manteiga de amendoim e lançar-se sobre a plateia.

A depilação de Iggy deu certo nas sobrancelhas. Já no peito...

Caminhar sobre as águas é para os fracos

Apesar de serem considerados fracassos comerciais, os álbuns dos Stooges iam pouco a pouco contaminando o DNA das bandas nascentes com um niilismo musical que não poderia estar mais distante do conceito hippie de “paz e amor”.

Se os anos 60 estavam definitivamente mortos, a trilha sonora de seu funeral era cortesia do Black Sabbath. A encruzilhada onde Robert Johnson fizera seu pacto satânico parecia desembocar na cidade inglesa de Birmingham, lar da banda. Assim como Detroit, Birmingham tinha em sua opressiva atmosfera industrial a antítese do clima californiano onde o flower power dava seus últimos suspiros. Cria desse ambiente, o quarteto possuía uma intensa conexão com o obscuro e o sobrenatural. Ao perceberem as enormes filas diante de um cinema próximo ao seu local de ensaio, os músicos resolveram adotar o nome do longa-metragem em cartaz e traduzir em música o medo que as pessoas pagavam para sentir através dos filmes de terror.

O filme que deu origem ao nome da banda

A mistura do som pesado e sombrio com letras macabras deu origem a um subgênero que ficaria conhecido como heavy metal, e que consagraria o Deep Purple, com sua junção de peso e música clássica…

… e o Led Zeppelin, liderado pelo ex-guitarrista do Yardbirds, Jimmy Page. O Yardbirds havia terminado em 1968, mas ainda tinha shows a cumprir. Sob o nome The New Yardbirds, Page reunira uma nova banda. Desde o primeiro ensaio, a química entre ele, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham era inegável. Livre dos compromissos do New Yardbirds, era hora do Led Zeppelin alçar voo.

O primeiro álbum do Led Zeppelin

Após anos como músico de estúdio, o experiente Page desenvolvera noção exata do que queria com a nova formação. Seu objetivo, como tudo envolvendo o Led Zeppelin, era grandioso: transformar sua banda na maior do mundo. Com controle absoluto sobre sua carreira, a banda trilhava passo a passo o caminho da consagração mundial. A cada álbum, mais e mais colossal o Led Zeppelin se tornava, e redefinia, no showbusiness, o termo “megastar”.

Jatos particulares, quartos de hotéis destruídos, polêmicas com drogas e sexo, misticismo e mistério. Eram os anos 70. Os deuses do rock caminhavam entre os meros mortais, embora vivessem muito distantes da realidade.

A Starship, o jato particular do Led Zeppelin, era mais moderna do que o Air Force One, o avião do presidente americano...

... e o serviço de bordo era mais atencioso.

Quem também não dispensava os servicinhos das caridosas groupies eram os Stones...

... e o The Who.

O Led Zeppelin era sinônimo de misticismo nos anos 70. Cada membro da banda possuía um símbolo baseado em runas nórdicas, e Page era um dos mais fiéis admiradores do bruxo Aleister Crowley

Esse descolamento do mundo real se refletia nas letras e epopeias musicais do rock progressivo. Como virtuosos cavaleiros medievais, bandas como Yes, Genesis, Emerson, Lake & Palmer e Jethro Tull encaravam a cruzada para elevar o rock ao patamar da música erudita.

Emerson Lake & Palmer

Jethro Tull

Para tanto, esses herdeiros do psicodelismo não economizavam em sintetizadores e enormes trechos instrumentais, que transformavam as canções em épicos de mais de vinte minutos. Os solos de todo tipo, aliados a versos sobre criaturas fantásticas, recheavam álbuns conceituais triplos e quádruplos; o refinamento musical atingia a estratosfera.

Quando, mais do que nunca, as cabeças do rock progressivo estavam nas nuvens, o Pink Floyd começou a planejar sua aterrissagem.

Desde a saída de Syd Barrett, o Pink Floyd estivera perdido no espaço. Sem seu principal compositor, a banda lançara álbuns irregulares e entregara-se a despropositadas canções instrumentais, que pareciam denunciar certa incapacidade de criar algo mais focado e com potencial comercial. As próprias adversidades que o Pink Floyd atravessava serviriam como o pilar da obra que mudaria tudo isso. Com músicas que falavam sobre a insanidade e a alienação, não só de Barrett, como do ser humano em geral, “Dark Side of the Moon”, lançado em 1973, era um tratado sobre os problemas da vida moderna. Embora refinado e conceitual, ele rompia com os temas fantasiosos do rock progressivo, e tornava-se um dos maiores fenômenos de vendas da década, colocando definitivamente o Pink Floyd no estrelato.

A emblemática capa de "Dark Side of the Moon"

No próximo capítulo: Os alienígenas estão chegando!

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Sobre marcelobeat

Provavelmente o menos geek dos blogueiros, seu computador funciona com carvão e o girar de uma manivela que faz com que o vapor circule por toda a máquina, e sua conexão de internet consiste de um cabo amarrado a uma pipa, papagaio ou pandora. Mas ele se cansou de comprar papel almaço, então resolveu ter um blog. Comprem meu livro! "O SAFÁRI DOMÉSTICO", meu primeiro romance, está à venda pela AGBOOK, no endereço http://www.agbook.com.br/book/44234--O_Safari_Domestico
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