Rock (R)Evolution – Parte 11

ROCK (R)EVOLUTION

EPISÓDIO 11:

HORA DA FESTA!

Para ler ao som de: Alice Cooper, New York Dolls, Kiss, Aerosmith, Lynyrd Skynyrd, Queen

Enquanto o personagem de David Bowie desaparecia, um outro chocava e seduzia as plateias através da colisão entre o brilho glam e os temas macabros do heavy metal: Alice Cooper.

Elevando à enésima potência a teatralidade de David Bowie, o festival de horror de Cooper despejava no palco instrumentos de tortura medievais, serpentes, cadeiras elétricas e guilhotinas.

Tia Alice e sua inseparável assistente de palco

Não é à toa que o estilo do cara ficou conhecido como "shock rock"

Adicionando ao colorido glitter a sujeira das ruas de Nova York, o New York Dolls dividia opiniões: enquanto os críticos os taxavam de clones degenerados dos Rolling Stones, o público se sentia atraído pelo visual andrógino, decadente e perigoso da banda. Em 1975, os Dolls passaram a ser empresariados pelo marketeiro inglês Malcolm McLaren, que, em busca de ainda mais polêmica, orientou-os a se apresentarem vestidos em roupas de couro vermelhas, ostentando uma bandeira soviética no fundo do palco.

Os Dolls eram assim...

... e o inglês marqueteiro achou...

... que assim daria mais certo.

A estratégia equivocada, aliada a brigas internas e ao uso excessivo de drogas, deu início ao rápido desmoronamento da banda.

Melhor sorte na próxima vez, Malcolm.

Os Dolls, no entanto, deixaram suas marcas no cenário roqueiro nova-iorquino. Após terem aprendido o suficiente com seus conterrâneos e com Alice Cooper, quatro jovens da Grande Maçã decidiram colocar suas pinturas de guerra… Uma guerra por rock n’ roll, diversão, mulheres e milhões de dólares.

Influenciado pelo rock teatral da época e pelos super-heróis das histórias em quadrinhos, o Kiss apostava no mistério e no espetáculo. Com fogo e sangue, a banda arrebanhava uma horda de seguidores, uma horda tão grande quanto a daqueles que viam nas figuras mascaradas e em suas performances uma manifestação genuinamente demoníaca. Para desgosto destes, as lojas não paravam de receber uma avalanche de produtos com a marca “satânica”: máquinas de pinball, máscaras, bonecos…

O pinball do Kiss...

... a volta às aulas com o Kiss...

… as Barbies Kiss…

... o enlatado do Kiss...

... e, finalmente, onde eles queriam chegar: os quadrinhos do Kiss pela Marvel, com sangue do quarteto misturado à tinta

Os quatro membros do Kiss tornavam-se mais do que lendas do rock – tornavam-se verdadeiros super-heróis, como os que os haviam inspirado.

Era tempo de comemorar, e o hard rock era a trilha sonora da festa que tomava conta da metade da década.

Após anos de carreira como banda de abertura, o quinteto de Boston conhecido como Aerosmith enfim alcançava o sucesso mundial com sua junção vibrante de rock n’ roll e blues… e uma inigualável disposição para levar ao limite o estilo de vida consagrado pelos Stones. Repetindo a parceria de Mick Jagger e Keith Richards, os “Gêmeos Tóxicos” Steven Tyler e Joe Perry criavam música e polêmica na mesma medida…

… bem como os mestres do rock sulista americano, Lynyrd Skynyrd, para os quais a mistura de country, blues, rock pesado e álcool ocupava o topo de um cardápio explosivo.

Partindo do hard rock praticado em seus primeiros anos de existência, o Queen chegava a 1975 majestosamente explorando estilos, flertando com a ópera no álbum mais caro produzido até então, “A Night At The Opera”.

Mesmo com suas complexas harmonias vocais, o primeiro single, “Bohemian Rapsody”, tornou-se um extraordinário sucesso comercial, e originou uma nova forma de divulgação para a música: o videoclipe.

“Bohemian Rapsody” é oficialmente o primeiro videoclipe da História

Porém, nem todos os súditos do rock n’ roll estavam contentes com o rumo que seu ritmo de devoção tomava. A complexidade e o refinamento das canções, os temas idílicos e o gigantismo da indústria afastavam cada vez mais a realeza musical da plebe. Cedo ou tarde, a monarquia do rock teria que encarar os anarquistas. Como em uma profecia medieval, uma revolução estava fadada a explodir… e ela iria abalar os tronos da nobreza com barulho e atitude.

No próximo capítulo: One, two, three, four!

Anúncios

Sobre marcelobeat

Provavelmente o menos geek dos blogueiros, seu computador funciona com carvão e o girar de uma manivela que faz com que o vapor circule por toda a máquina, e sua conexão de internet consiste de um cabo amarrado a uma pipa, papagaio ou pandora. Mas ele se cansou de comprar papel almaço, então resolveu ter um blog. Comprem meu livro! "O SAFÁRI DOMÉSTICO", meu primeiro romance, está à venda pela AGBOOK, no endereço http://www.agbook.com.br/book/44234--O_Safari_Domestico
Esta entrada foi publicada em Música. ligação permanente.

3 respostas a Rock (R)Evolution – Parte 11

  1. Incrível o blog, adorei a forma como vc passeia com palavras na história do rock, parabéns.

  2. Bernardo diz:

    Grande Beat!!
    Não sei se essa dica se enquadra mais aqui ou no post anterior..
    mas vamos lá!!
    Sensational Alex Harvey Band, conhece?
    Galera da pesada! O Alex então, bem carismático, não? hehe
    Apesar de enquadrados na turma do Glam Rock, é puro rock n’ roll baby!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s